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Domingo, 21.06.15

CDU NA SESSÃO SOLENE DO 20.º ANIVERSÁRIO DA CIDADE DE RIO TINTO

20 aniversario cidade.jpg

Ex.mo Sr. Presidente da Câmara Municipal de Gondomar
Ex.mo Sr. Vereador da Câmara Municipal de Gondomar
Ex.mos Sr.s Presidente da Junta de Freguesia de Baguim do Monte e de Rio Tinto
Ex.mos Sr. Presidentes da Assembleia Freguesia de Baguim do Monte e de Rio Tinto
Ex.mas Senhoras e Senhores Deputados
Ex.mas Senhoras e Senhores Convidados
Minhas senhoras e meus senhores

A todos desejo de uma boa noite

21 de Junho de 1995, data que não pode – nem é – esquecida pelos habitantes desta Cidade. Com efeito, esta é a data histórica em que na Assembleia da República foi aprovada a criação da cidade de Rio Tinto.
Se o sonho/objetivo de voltarmos a ser Concelho parece hoje cada vez mais distante, atendendo às circunstâncias sócio-políticas, tal não quer dizer que o tenhamos definitivamente abandonado – já fomos Concelho e, tendo em conta o elevado número de habitantes, a localização e a dimensão territorial, merecemos voltar a sê-lo.
Celebramos hoje o 20.º aniversário desta cidade, formada por duas freguesias, independentes e autónomas, mas que durante muito tempo seguiram um percurso histórico comum.
Se desde 1995 riotintenses e baguinenses passaram a gozar de autonomia administrativa, mantêm todavia laços comuns, onde se destaca a amizade entre populações, mas também no que diz respeito a alguns serviços importantes para a comunidade, dos quais se destacam os Bombeiros Voluntários da Areosa-Rio Tinto e no setor dos transportes, a linha do Metro.
Este tornou-se numa infraestrutura importante para a cidade, mas esta obra, fruto da luta de todos, está inacabada, uma vez que continua adiada a sua ligação ao centro do Concelho.
Já o dissemos em anos anteriores, mas é importante que continuemos a insistir, para que este assunto não caia no esquecimento.
Será opinião comum, que é importante dar continuidade à linha de metro até Gondomar, por razões de vária ordem, mas também importante do ponto de vista económico e laboral, já que por vezes o emprego, exige maior mobilidade a nível de transportes.

Sobre a zona do antigo mercado de Rio Tinto inserida no Plano Pormenor, depois do anúncio que foi feito através da imprensa, pouco ou nada se sabe. Trata-se de uma obra da maior importância para aquela zona e para a cidade, que para além disso iria resolver entre outros, a questão da ponte da Levada, destruida aquando das cheias de 2009. Pensamos que 6 anos é muito tempo o que lamentamos…
Também não queremos deixar de salientar a reabertura do Centro Cultural de Rio Tinto, onde se começaram a realizar eventos de cariz cultural, depois de tantos anos, quase que abadonado. Trata-se de um equipamento, que uma cidade com a dimensão de Rio Tinto bem merece.
Louvamos igualmente o início dos trabalhos da construção da Rotunda de Vale de Ferreiros, que teve início esta semana e que era uma promessas dos candidatos de várias forças políticas.
Em jeito de pergunta, gostavamos de saber, qual o ponto de situação do Centro de Saúde de Baguim…


Ex.mos Senhores e Ex.mas senhoras

Mesmo que se esteja em dia festivo não podemos, nem devemos deixar de falar da situação nacional, já que todas as questões políticas têm efeitos no seio das aldeias, das freguesias e das cidades do nosso País, sejam positivos ou negativos.
O Trabalho, transportes, ambiente, natalidade, envelhecimento, etc., etc., são assuntos, que nos devem preocupar e envolver, uma vez que todos eles são importantes para o nosso dia-a-dia, … mas sem sombra de dúvidas que há um tema que irei abordar e que devemos ter a maior atenção e sensibilidade, falo do empobrecimento, que está cada vez mais patente no nosso País… Rio Tinto devido ao número de habitantes, não foge a essa preocupante situação. Todos os que estão à frente das mais variadas instituição da cidade - Desde as juntas de freguesia, até às que exercem trabalho de cariz social  – sabem do que estamos a falar!…
Há quem tente passar a mensagem de que estamos no bom caminho e que Portugal começa a recuperar, mas infelizmente não é verdade. Os números relativamente à procura de comida são alarmantes portugueses e portuguesas, são uma realidade, tendo duplicado o número de pessoas nos últimos quatro anos.
Naturalmente que alguns números poderão ser mais ou menos optimistas, dependendo sempre do ponto de vista de cada grupo.
Exemplo disso é a criação de emprego, que até poderá ser um facto, no entanto há que ter em conta a emigração, a aposentação e a desistência de muitos na procura de emprego. Por outro lado há uma política de baixos salários que faz com que haja diminuição dos custos do trabalho em favor do capital, originando que cada vez haja mais pobres e tornando assim os ricos cada vez mais ricos… há cada vez mais pessoas a deixar de trazer da farmácia todos os medicamentos necessários para a saúde ou a deixar de ir ao hospital, mesmo quando estão isentos de taxas moderadoras. Uns não têm dinheiro para o transporte e depois também não os poderão comprar!
Dados publicados pelo INE demonstram como a pobreza e a desigualdade estão a agravar-se nos últimos anos em consequência da política seguida pelos actuais governantes. Estes tentam substimar esses dados sob o argumento de que se referem a 2013, quando é sabido que, para 2015, o Governo não só manteve essa política, como a pretende agravar com mais ataques às prestações sociais e aos direitos dos trabalhadores com é o caso da intenção do corte de 600 milhões nas reformas, que a todo o custo ten-tam dizer que não será bem assim, mas nós já sabemos o que a casa gasta!…
Em suma, Portugal está mais pobre em resultado da política de direita, responsável pela destruição de emprego e do aumento da precariedade no trabalho, pela diminuição do nível de vida devido aos cortes e à diminuição nos salários, nas pensões e outras prestações da segurança social, e ao agravamento dos impostos sobre os rendimentos do trabalho e pensões. Actualmene 1 em cada 5 portugueses são pobres, mas a situação é mais grave quando a pobreza é ancorada no tempo, o que com o seguimento das actuais políticas, tem tendência para aumentar.
Não é apenas a perda de rendimento, mas também a privação material severa, isto é, a incapacidade das pessoas para satisfazerem várias necessidades básicas relativas a alimentação, à habitação (por exemplo, a capacidade para pagar rendas de casa), às comunicações (por exemplo, terem telefone), etc. Não só a população nestas condições é muito elevada (2,9 milhões de pessoas) como se constata um brutal agravamento, com um aumento de mais de 300 mil pessoas nestas circunstâncias desde 2011 até aos dias de hoje.
Todos estes dados reflectem o impacto da política dita de “austeridade”, aplicada no país desde 2010; primeiro com os programas de estabilidade e crescimento (PEC) do anterior Governo e depois com os programas do actual Governo e da troika.
Tudo isto é empobrecimento.
Claro que temos presente do trabalho que muitas instituições prestam e outras que estão no terreno a fim de ajudar todos aqueles que cairam nesta terrível situação, má para eles e para o País. Essas Instituições fazem um trabalho louvável, mas somos de opinião que devia ser aproveitada a sua verdadeira vocação a fim de dar apoio a montante. Pois seria mais dignificante que os pais que ali vão buscar a sopa, fossem antes colocar os filhos, a fim de seguirem para o seu emprego, seria mais dignificante!
A erradicação da pobreza, passa naturalmente pela valorização das pessoas e e pela redistribuição da riqueza. Passa por maior justiça fiscal e que aqueles que mais têm, paguem mais, ou seja, que se inverta a acual situação, em que a maior fatia dos impostos, é paga pelos que aufere menores rendimentos.
Encontro-me aqui em representação da CDU; não sou autarca local, mas tenho plena consciência do drama vivido diariamente por muitos dos autarcas presentes e dos serviços das juntas de freguesia. São estes os primeiros a ouvir os gritos de revolta de quem não tem nada para si e para dar de comer aos seus, daí também uma palavra para os autarcas destas duas freguesias da cidade de Rio Tinto.
Pela nossa parte não nos resignaremos nunca! Continuaremos a trazer aqui e sempre as nossas propostas e preocupações que são na finalidade os anseios de muitos riotintenses e baguinenses, que confiaram em todos aqueles que aqui estão como eleitos, mas também nas pessoas ligadas às mais varias instituições da nossa cidade.
Lutamos no passado e conseguimos derrotar os coveiros de milhares de portugueses.
Continuaremos a nossa luta contra a exploração e pelos direitos das populações e pelo cumprimento da Constituição da República.
Termino, desejando a continuação de uma boa noite de aniversário!


Viva o Poder Local Democrático!

Viva a Cidade de Rio Tinto!

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NOTA: Foto Jornal Vivacidade.

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por cduriotinto às 23:29



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